É preciso enxergar o processo de construção da Ciência de frente. Abaixo dele, só enxergarmos a dureza das verdades e dos métodos, das soluções e das regras. Acima estamos fadados ao conformismo metafísico, a agonia do niilismo e o distanciamento da epistemologia.
O primeiro engano é olhar e afirmar que há uma Ciência. Um lugar onde os métodos são incontestáveis e a natureza é simples para todo o tipo de problema. Não há esse lugar. Tanto a física quântica e a improbabilidade fenotípica biológica quanto às ciências sociais puderam perceber o incômodo de persistir em dogmas antigos, que não previam a complexidade dos problemas que lidavam.
De frente, podemos dizer que são duas as posições que o saber cientifico coloca para os seus comandados quando se refere à obtenção do saber. A ciência busca saber, um saber que assuma um status de verdade. Essa verdade tende a ser retratada como limpa, pura e incorruptível. Não se atrela ao julgamento de valores das emoções, tampouco as incertezas dos elementos perceptíveis e sensoriais daquilo que não é o seu objeto, nem do que o cerca. A verdade é racional.
Na primeira postura, a ciência se percebe acabada, construída. Ela se afirma também naquilo que não merece ser apreciado do seu processo de constituição, afinal o que ela produz já foi provado, é fato, é verdade, e aí está constituído, independente dos meios. Dogmas, verdades e instituições, são tudo aquilo que nós fazemos passar como fato consumado.
Na segunda, a ciência estar por constituir-se, desprendendo-se dos desnecessários, e ainda está a se questionar sobre efetividade, produtividade, eficiência e validade. Esta ainda precisa de provas, testemunhos e cúmplices capazes de se associarem e comprarem o seu projeto de verdade. Sim, é necessário o capital. Ou se compra uma solução ou se investe em uma tentativa. Mas, com certeza, ele está lá ávido pelo retorno e sedento por poder.
O segundo erro é achar que tais posturas são opostas. Elas são complementares, mesmo que pareçam contraditórias, destoantes. Parece ser próprio do saber científico, essas posturas. Mas quando entram em jogo as múltiplas relações de poder em que este saber se encontra, torna-se compreensível essa tentativa de naturalização da “Verdade”, tática para a manutenção da dominação.
A ciência é construção. Ela se move. Age tanto na luz das mais brilhantes notas dos cadernos da razão como no obscurantismo das vontades, nas incertezas dos desejos, nas ilusões das percepções, na impulsividade das sensações e nos embaçados motivos humanos.
Ela não reflete nada, assim como o qualquer conhecimento, ela nos refrata.
Texto de referência: Abrindo a Caixa Preta de Pandora de Bruno Latour.
Inspirações Extras: “Nantes”, “Guyamas Sonora”, “The penalty” e “Untitled”, músicas do Beirut.
O primeiro engano é olhar e afirmar que há uma Ciência. Um lugar onde os métodos são incontestáveis e a natureza é simples para todo o tipo de problema. Não há esse lugar. Tanto a física quântica e a improbabilidade fenotípica biológica quanto às ciências sociais puderam perceber o incômodo de persistir em dogmas antigos, que não previam a complexidade dos problemas que lidavam.
De frente, podemos dizer que são duas as posições que o saber cientifico coloca para os seus comandados quando se refere à obtenção do saber. A ciência busca saber, um saber que assuma um status de verdade. Essa verdade tende a ser retratada como limpa, pura e incorruptível. Não se atrela ao julgamento de valores das emoções, tampouco as incertezas dos elementos perceptíveis e sensoriais daquilo que não é o seu objeto, nem do que o cerca. A verdade é racional.
Na primeira postura, a ciência se percebe acabada, construída. Ela se afirma também naquilo que não merece ser apreciado do seu processo de constituição, afinal o que ela produz já foi provado, é fato, é verdade, e aí está constituído, independente dos meios. Dogmas, verdades e instituições, são tudo aquilo que nós fazemos passar como fato consumado.
Na segunda, a ciência estar por constituir-se, desprendendo-se dos desnecessários, e ainda está a se questionar sobre efetividade, produtividade, eficiência e validade. Esta ainda precisa de provas, testemunhos e cúmplices capazes de se associarem e comprarem o seu projeto de verdade. Sim, é necessário o capital. Ou se compra uma solução ou se investe em uma tentativa. Mas, com certeza, ele está lá ávido pelo retorno e sedento por poder.
O segundo erro é achar que tais posturas são opostas. Elas são complementares, mesmo que pareçam contraditórias, destoantes. Parece ser próprio do saber científico, essas posturas. Mas quando entram em jogo as múltiplas relações de poder em que este saber se encontra, torna-se compreensível essa tentativa de naturalização da “Verdade”, tática para a manutenção da dominação.
A ciência é construção. Ela se move. Age tanto na luz das mais brilhantes notas dos cadernos da razão como no obscurantismo das vontades, nas incertezas dos desejos, nas ilusões das percepções, na impulsividade das sensações e nos embaçados motivos humanos.
Ela não reflete nada, assim como o qualquer conhecimento, ela nos refrata.
Texto de referência: Abrindo a Caixa Preta de Pandora de Bruno Latour.
Inspirações Extras: “Nantes”, “Guyamas Sonora”, “The penalty” e “Untitled”, músicas do Beirut.

Um comentário:
Bom mô, o texto é intrigante por tentar desmistificar algo que aparentemente acreditamos serem posições contrastantes, mas fazem parte de um mesmo processo. Interessante é que mesmo este processo, faz parte de um jogo de dominação que as vezes nem percebemos. Além disso, achei o texto claro qto a esses dois momentos do processo da ciência e que acontecem concomitantemente.
A princípio, o único equívoco que vejo é um errinho besta de repetição de palavras "ciência busca saber, um saber", do terceiro parágrafo.
No mais, fico no aguardo do próximo texto! Bjusss
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